Tenho 30 anos, francesa, solteira,
escritora, fumante e nas horas vagas alcoólatra. Gosto de escrever sobre temas
políticos, como guerras, acho que essa “química” com acontecimentos ruins, tem
alguma coisa relacionada com minhas desilusões amorosas. Não que eu nunca tenha
amado, aliás, amei até demais. Porém, agora sou mais suscetível.
O amor é algo instável e relativo. Às
vezes você ama demais e nada pode abalar esse amor, mas ai o “amor” acaba e
você começa a se relacionar com outra pessoa e o ciclo se inicia novamente.
Alguns dizem que ainda existe amor eterno. Talvez esse fique apenas nos papéis,
nos romances, nas novelas e nas palavras vagas e vazias de pessoas pérfidas e
frívolas.
Estava lembrando-me de alguns
relacionamentos passados. Bem, era tanto amor, quantos telefonemas, quantos
"sonhei com você essa noite", "estou pensando em você",
quantas mensagens de "bom dia" e "boa noite", quantos
elogios, quantos "ficaremos juntos pra sempre" e quantas ilusões. E
num piscar de olhos, o que era indestrutível acaba e minha presença se torna
desinteressante. Como se o amor fosse um objeto descartável e instantâneo, que
você usa e quando não te interessa mais, você troca.
Às vezes sinto um vazio aqui dentro.
Queria que o amor fosse como nos livros de romance que mesmo com os problemas
e frustrações, sempre termina em um final feliz. Esses romances são
uma forma do autor mostrar como realmente deveria ser o amor. Bonito, com
essência e eterno.
Mesmo com todas essas lembranças
antigas, é bom amar, se sentir amado e ter alguém do seu lado, mesmo que não
haja mais a possibilidade de ser pra sempre. Ninguém é feliz sozinho. Aqueles
que dizem ser, propiciam-se por despeitos de desamores ocorridos. Pois quem
nunca amou, viverá sempre nos desespero da solidão, angústia e da
incredulidade.
Anita
Russeau.
T. Ramos

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