terça-feira, 16 de julho de 2013

Crise de 2008

Eu não vejo muito cinema, eu não sou muito ligado em filmes. Eu não sei exatamente o motivo. Quanto tempo dura um filme? Uma hora e meia? Duas? Eu acho que não vejo filmes porque duas horas é tempo demais pra ficar sem falar, é tempo demais pra ficar sem importunar alguém, é tempo demais pra ficar sem dar petelecos na orelha da minha companhia. Pra vocês terem uma ideia da minha alienação cinematográfica, o último filme que vi e me marcou de alguma forma foi Forrest Gump, e isso foi em 1994. Ontem, eu lembrei de outro filme em que Tom Hanks atua. Eu estava andando numa galeria, ignorei o aviso de piso molhado e minha bunda magricela quase foi ao chão. Acho que o vigor da juventude permitiu que eu me segurasse e desse só aquela sambadinha ridícula. Na hora, eu lembrei de "O Terminal" . No filme, a diversão do tiozinho da limpeza é assistir a queda das pessoas que ignoram o aviso de piso molhado. As pessoas sempre ignoram o aviso. Mas não é de cinema que vou falar aqui, é de economia. Vou tentar explicar a tal crise didaticamente. Sem o terrível economês, tentando deixar o assunto claro para qualquer pessoa. 
É importante dizer que essa é em grande parte uma crise causada pelo “Bin”. Explico: com os atentados de Bin Laden em 11 de setembro de 2001, os EUA baixaram seus juros de forma acentuada, para estimular o consumo e levantar o moral dos americanos. Os juros, na verdade, determinam o grau de risco que os grandes jogadores do mercado vão correr. Explico de novo: os juros remuneram os títulos da dívida dos EUA que são considerados seguros, quase risco zero. Como a remuneração desses títulos –juros- caíra, os grandes bancos precisavam achar uma saída pra ganhar tanto quanto ganhavam quando a remuneração destes era boa. E qual a saída? Eu disse que queriam estimular o consumo, e estimularam até demais. Com a procura em alta, os preços foram parar nas alturas e qualquer quarto e sala com vista para uma folha de árvore do Central Park passou a custar muito dinheiro. Então os bancos pensaram que seria uma boa emprestar dinheiro para as pessoas e pegar os imóveis delas como garantia, já que o preço dos imóveis não parava de subir – a famosa “bolha”-; achavam que era interessante emprestar até para quem não tivesse um histórico de bom pagador –os chamados “subprime”.
Tudo começou com os juros baixos e tudo terminou com a alta dos juros, que foi necessária para conter a inflação. A bolha dos imóveis estourou e o preço deles passou a cair. Até o tomador de empréstimo pensar: espera aí, eu devo 200 mil dólares, a garantia é meu imóvel que custava 300 mil. Agora ele custa 100 mil. Não seria melhor eu entregar a garantia? O tomador não pagou e desencadeou todo efeito dominó. Essa crise era anunciada. Lembro que ouvi dizer desse problema da bolha imobiliária em 2006. Todos sabiam que a bolha estouraria e que os excessos seriam enxugados, só não sabiam quando. O ex-presidente do Banco Central americano, Allan Greenspan e o atual Ben Bernanke preferiram ignorar os sinais que indicavam piso molhado, e os EUA caíram com a bunda no chão. O tiozinho do filme deve estar achando graça.

ANDRÉ L.R. MARIOSA, Outubro de 2008.

Nenhum comentário:

Postar um comentário